sábado, 28 de novembro de 2009

Espírito de Natal

Pelo menos um dos supermercados de Abidjan já entrou no espírito de Natal, devidamente assinalado pela música escolhida.
Esta manhã, era um cd daquelas músicas de Natal mais conhecidas, cantada por um grupo de miúdos absolutamente desafinados, mas com muita vontade.
Ainda assim, o segurança dançava ao som da música. Eu fiz as compras rápido e vim embora.

Queixas

Irritam-me um bocado as pessoas para quem o trabalho delas é sempre pior que o dos outros, e que têm a tendência para virar todas as conversas para o caso delas: "tu podes ter esse problema mas ainda assim tens sorte. Olha que eu..." e discursam durante não sei quanto tempo. Quando vão na terceira palavra da segunda frase, eu por norma já desliguei.
Presumo que as doenças deles também sejam as mais complicadas, o chefe o mais tirano, e por aí adiante. Concluindo, acho que me queixo pouco, mas lá diz o ditado: "quem não chora, não mama".

Aula prática

Os episódios com a polícia são sempre uma novidade.
Desta vez, numa paragem para controlo do documentos durante o dia, a dupla de agentes decidiu aproveitar para dar uma aula a uma terceira, nova no ofício.
Então, pegaram nos documentos da viatura e ficaram ali, ao lado da minha janela aberta, a explicar o que devia verificar, onde estava o número da matrícula, as características da viatura, etc. Uma verdadeira aula prática.
Eu até estava a achar piada, e observava fixa e atentamente o procedimento. Até houve uma que me pediu desculpa pela demora. Mas a determinada altura, o tempo perdido já era demasiado, e saiu-me um "sra. Agente, vá mas é para a escola!".
Claro que elas não gostaram muito... mas lá devolveram os documentos e pudemos continuar o nosso caminho.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Berma de estrada

Todos os dias de manhã, há dois libaneses que esperam na berma da estrada, debaixo duma palmeira.
Não sei o que lá fazem; provavelmente aguardam quem os leve para o trabalho. Esperam na berma da via rápida, mas isso não é problema: os carros páram lá como se fosse uma rua de cidade.
De qualquer forma, já quase posso dizer que os conheço. Um dia destes ainda lhes pergunto para onde vão.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Ordem alfabética!!

As listas eleitorais foram publicadas ontem e as queixas não se fizeram esperar.
Porque as fotografias são pequenas, porque são a preto e branco, porque os placards em alguns casos estão pousados no chão e obrigam as pessoas a baixar-se...
Um relato que o jornal recolheu foi dum jovem que estava havia uma hora e meia à procura do nome dele. Sem sucesso. Com a ajuda do jornalista, encontrou em alguns minutos.
Fiquei um bocado intrigado, com dúvidas que possa ser tão complicado assim. A justificação do jovem para não se encontrar é que não parecia ele na fotografia... mas os nomes estão por ordem alfabética!!

domingo, 22 de novembro de 2009

Ciclo de cinema espanhol

A Embaixada de Espanha começa para a semana o seu ciclo anual de cinema espanhol.
Ainda tenho de me informar melhor sobre a programação e os horários, mas à partida estou interessado. Quanto mais não seja, para fazer algo diferente e porque este tipo de acontecimentos não são muito frequentes em Abidjan.
Em conjunto com a da Alemanha e a dos Estados Unidos, julgo que a Embaixada de Espanha é das mais activas em termos de eventos culturais. Portugal não tem embaixada em Abidjan desde a crise de 2004, altura em que mudou para Dakar. Assim, tenho de frequentar as outras.

Tanto tempo!

Há um pequeno bar perto de minha casa onde vou pontualmente tomar café após o jantar. Como em todos os locais, têm um porteiro/segurança à porta, que vai pedindo uns trocos aos clientes.
Uma vez, na primeira metade de Agosto, fui lá e ia deixar-lhe o valor normal (uma moeda de 200 FCFA), quando me apercebi que não tinha; só tinha notas e a mais pequena era de 2.000 FCFA.
Mas dei-lha, na condição de que já funcionaria como um avanço.
Ontem fui ao tal bar, e pela primeira vez desde esse encontro em Agosto encontrei o mesmo senhor. Claro que ele me veio novamente pedir dinheiro, e eu recordei-lhe o nosso acordo. "Xii, patrão, isso já foi há tanto tempo!!". Pois...

sábado, 21 de novembro de 2009

Sala de concertos

Ontem ao início da noite, após o trabalho, passei por casa antes de sair para jantar.
Enquanto me arranjava, e como habitualmente, tinha a música ligada. Estava a ouvir Maria Callas, num volume de encher o apartamento.
Mas o que achei graça foi que, ao sair da minha porta, deparei-me com a "concorrência" cerrada do Sr. Jacques, meu vizinho. Também num volume de encher o apartamento (e o dele é maior do que o meu), estava a ouvir música clássica. E assim, por momentos, o 14º andar do prédio transformou-se numa pequena sala de concertos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Chuvadas

Sol, um dia bonito. Chuva, torrencial. Sol, um dia bonito. Não é engano: foi assim o final de manhã e início de tarde de hoje. Entre cada fase, uma passagem pelo computador.
Eu gosto de frio e gosto de calor. Mas não gosto de chuva. Incomoda-me, acho que não dá jeito nenhum. Mas estas chuvadas aqui até são engraçadas, porque de repente interrompem dias soalheiros para tornar tudo cinzento; mas é só por momentos, porque de seguida vão embora.
Deixam os jardins regados, deixam as pessoas encharcadas, deixam as inundações. Mas volta o sol, e nem parece que aconteceu.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Títulos

Portugal qualificou-se para o Mundial de futebol na África do Sul. Após tanto sofrimento, fez aquilo que muitos consideravam uma obrigação, mas que esteve complicado.
Nestes dias de jogos decisivos, os jornais tentam sempre dar o mote, com títulos a apoiar a selecção. E eis que me deparo com a seguinte pérola: "Prontos prà guerra". Assim, tal e qual, pelo que já não sei se lhe hei-de chamar "pérola", "pérla" ou "pèrla".
De qualquer forma, julgo que desde que saí de Portugal a língua não mudou assim tanto, e portanto acho que é uma vergonha e uma irresponsabilidade.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Espírito nacionalista... mas nem tanto

Em África, e ao contrário do que muita gente pode pensar, existem companhias aéreas muito boas, como por exemplo a Ethiopian Airlines.
Na Costa do Marfim, a companhia nacional é a Air Ivoire. A publicidade feita localmente é muita, e o espírito nacionalista atenua as críticas. Mas a verdade é que os problemas são vários.
Não me refiro propriamente a problemas de segurança. A esse nível, é uma companhia que respeita as normas, e voa inclusivamente para a Europa. Mas em termos de conforto e serviço ao cliente, é uma lástima.
Um pouco contra o tal espírito que atrás mencionei, um editorial recente do Fraternité Matin expunha exactamente esse problema. E terminava quase com um pedido de desculpa: "nós gostavamos de contribuir para o negócio da companhia aérea nacional; mas nestas condições não é possível".

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Abraço

Há gestos que nos fazem sorrir no momento, outros que ficam gravados e nos fazem sorrir sempre que os recordamos.
Ontem, após uma sessão de ténis e já à saída do clube, estava parado no passeio ao telefone quando um carro parou frente a mim. Mal a porta de trás se abriu, saiu de lá a correr um miúdo dos seus 3 anos que veio directo a mim e me abraçou!
Claro que abraçou as pernas, que foi ao que chegou, mas valeu por um abraço à alma.

domingo, 15 de novembro de 2009

Línguas

Os ambientes multiculturais são enriquecedores a vários níveis. Um deles, é o da língua.
Ontem, em casa do casal que aqui tive oportunidade de mencionar, achei engraçada a comunicação. É que, indiferenciadamente, entre eles e a filha de 5 anos falam português, inglês, francês ou bósnio.
Não é só uma questão de ser interessante vê-los mudar de língua de um momento para o outro; é também, e sobretudo para a criança, uma ferramenta extraordinária para o futuro. Porque para ela, qualquer uma das línguas será um dado adquirido, uma ferramente de base. Numa altura em que falar pelo menos duas línguas é fundamental, ela já leva um avanço.

Portugal-Bósnia

Ontem foi dia de jogo de selecção de futebol, Portugal-Bósnia, para decidir a qualificação para o mundial de 2010.
Para ver o jogo, fui convidado para ir a casa dum casal em que ele é português, e ela bósnia. Portugueses eramos 3, bósnios eram 10, e com um espírito muito engraçado: bandeiras, músicas, pinturas faciais, tudo para apoiar a equipa.
Portugal ganhou, mas claro que tivemos de ouvir os lamúrios sobre as 3 bolas no poste. E com razão, diria eu, que se estivesse do outro lado também estaria um bocado frustrado. Assim, fiquei só aliviado e espero que quarta-feira as coisas corram bem.

Sozinho

Na sexta-feira passada fiz algo que faço muito raramente: fui jantar fora sozinho.
Mas há dias em que nos apetece quebrar a rotina, sair de casa, jantar bem, beber um copo de bom vinho. E foi isso que fiz: fiz-me acompanhar por uma revista que já há algum tempo queria ler e lá fui, a pé, a um dos meus restaurantes preferidos em Abidjan, o Case Ébene.
Não satisfeito, ainda passei num bar que abriu recentemente perto do restaurante, onde acabei por encontrar uns amigos.
E assim se passou a minha noite, que por sinal até foi muito agradável.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Indicador de cansaço

Como é que eu sei se ando cansado? Pelo tempo que demoro a adormecer quando me encosto no sofá.
E por este indicador, devo andar de rastos. Ontem à noite sentei-me no sofá e nem me lembro de ter adormecido. No fim de semana passado, ao final da tarde de sábado, enquanto esperava um amigo para irmos sair, adormeci e nem as várias chamadas para o telemóvel que estava mesmo ao meu lado me acordaram; acordei já eram 1h30.
Julgo que o clima também ajuda a este estadode coisas. O calor e a humidade fazem com que os meus finais de dia sejam mais complicados. Mas daqui a pouco vou para o fresco.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Eleições adiadas

Apesar de ainda não haver um comunicado oficial, já é assumido por todos que as eleições na Costa do Marfim serão de novo adiadas. Resta saber para quando.
Poucos são os que acreditam que ainda poderão ter lugar até final do ano, apesar de o presidente da república ter dito que deveriam ser feitas em 2009. Outros dizem que serão em Janeiro 2010. E outros ainda, apontam para final do próximo ano.
Para todas as datas, há argumentos a favor e contra. A pressão internacional, a lista que estará pronta; o presidente que quer obrigatoriamente cumprir 2 mandatos, os interesses em manter o poder... Aguardemos.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Comunidades

Independentemente do local onde se encontram, é engraçado ver como as comunidades estrangeiras presentes num país importam os seus costumes da forma mais fiel possível.
No sábado passado fui a um rodízio, evidentemente organizado por um grupo de brasileiros. No dia 31 de Outubro, um grupo de americanos organizou uma "Halloween party". E encontrei um português que tinha trabalhado no Congo, onde segundo ele se encontram muitos portugueses, e ele só me dizia que se comia lá um bacalhau tão bom como em Portugal.
É um facto que, por um lado, este comportamento ajuda a suportar as saudades dum afastamento que deixa marcas. Por outro, quando levado ao extremo, faz com que as comunidades não cheguem a integrar-se realmente.
Por mim, acho bem que organizem este tipo de encontros, que assim vou experimentando um bocado de todos, sem no entanto deixar de comer attieke.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Painéis solares

Painéis solares: hoje vi um stand de painéis solares no passeio duma avenida, e chamou-me a atenção.
A Costa do Marfim tem, indiscutivelmente, muito sol e os painéis solares podem ser bem aproveitados. Mas julgo que foi a primeira vez que os vi aqui à venda, e não me lembro de já os ter visto instalados. Além do mais, o local onde os encontrei foi um bocado estranho, no meio dum passeio duma avenida cheia de fumo de carros.
A partir de agora vou estar mais atento à presença de painéis. Se aqui funcionarem, devem ser fiáveis, porque manutenção é coisa que não existe.

domingo, 8 de novembro de 2009

Oportunidade

Mais uma chuvada, mais uma inundação. O mal-afamado carrefour de l'indiéné, onde foram gastos milhões para trabalhos de melhoramento (nomeadamente, do canal de águas pluviais que lá passa), transforma-se numa lagoa a cada vez que chove.
E ontem choveu, pelo que o canal transbordou. E com a água vem o lixo todo, que aqui é mesmo muito. Não me lembro, nem quando há uns anos tivemos em Portugal inundações em praticamente todo o país, de ver nada igual. Nem mesmo o rio Leça conseguiu criar cenário tão repugnante e nauseabundo.
Mas onde há problemas há oportunidades, e abrir caminhos no meio de tal lixeira para permitir a passagem de carros (quando a água já escoou) é o que fazem alguns trabalhadores de ocasião. Se os condutores não lhes derem uma moeda, eles não tiram os pneus e obstáculos maiores da frente, mas como ninguém se arrisca sequer a abrir a porta do carro, têm clientes garantidos.

Mão de amigos

Uma placa de madeira maior do que um carro; o carro, com uma mala onde não cabe evidentemente a placa; e a necessidade de a transportar. Como fazer?
Simplesmente, pede-se a uma mão a 3 amigos, literalmente. Cada um vai sentado junto a uma janela, com a mão de fora a segurá-la. O condutor incluído, claro, senão a placa não vai equilibrada e pode cair.
Nem uma corda tinha para ajudar à tarefa: um trabalho perfeita e totalmente manual. E aposto que o condutor ainda conseguiria atender o telemóvel.

sábado, 7 de novembro de 2009

Prevenção

Ontem foi dia de cortes de corrente. Hoje parece ser dia de cortes de água.
Qualquer uma das situações representa um impacto enorme no dia-a-dia, mas são episódios que temos de tolerar, assim como a ausência de qualquer tipo de aviso.
Mas há pessoas que estão mais preparadas que outras. Mais habituado do que eu a este tipo de eventos, o sr. Ousmane tinha de reserva umas quantas garrafas de água, que lhe permitem continuar a cozinhar e mesmo a lavar a louça! Homem prevenido vale por dois.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Emplastros

Respeitar uma fila de pessoas não é difícil: basta ficar atrás da pessoa que está à nossa frente. Mas aqui as pessoas parecem ter uma aversão a esse tipo de organização.
Assim, a cada vez que vivo uma dessas situações, há uma de duas situações que ocorrem: ou realmente alguém fica atrás de nós, mas tão próximo que quase nos faz cócegas no pescoço, ou então põe-se ao nosso lado. E mesmo quando estamos ao balcão, a ser atendidos, há pelo menos uma pessoa a seguir de perto o assunto. Deve ser para ajudar.
Confesso que isto me irrita um bocado. Até agora, fui resolvendo os meus "emplastros" com olhares recriminadores e algumas cotoveladas. Mas qualquer dia vou ter de dizer qualquer coisa.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Aparência

Ontem vi um carro com uma matrícula muito estranha. Não no conteúdo, mas na forma: pareceia um trabalho caseiro, de corta-e-cola, num plástico à côr das matrículas normais.
Mas aquilo que para mim parecia estranho, não causou qualquer estranheza a quem estava comigo, habituado à realidade local. A explicação foi simples: há muitas pessoas que, estando em certos cargos públicos, têm direito a carro de serviço, cujas matrículas são duma côr diferente. Ora, por uma questão de aparência, e para tentar fazer o carro por propriedade privada, fazem matrículas à côr das dos carros civis. Já diz o ditado que não basta ser, há que parecer.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Tema único

Eu gosto de conduzir, e enquanto conduzo, tenho sempre o rádio ligado para ouvir não só música, mas também alguns programas de debate e troca de opiniões.
Aqui, há um programa desses, mas ao contrário do que acontece em Portugal, o tema nunca muda. Num dia é sobre a infidelidade dos homens, no dia seguinte sobre a infidelidade das mulheres, e parece não sair disto.
Assim, a discussão é sempre de alto nível e parece uma novela mexicana radiofónica. Mas o pessoal ri-se disto e as audiências são grandes. Não há paciência...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Duração

A tecnologia pode pregar muitas partidas a quem não estiver preparado.
Esta noite presenciei uma discussão em que um senhor se mostrava muito surpreendido com uma chamada que tinha recebido, dum número tão esquisito que ele não conseguia saber de onde era.
Após uma longa discussão e várias outras opiniões, eis que o telemóvel chega às mãos de um homem mais jovem que diz "ah, mas isto não é número, é a duração da chamada!".
Talvez não convencido, ou apenas para para confirmar, perguntou-me o que eu achava. E confirma-se: 00:00:37. Era a duração.

domingo, 1 de novembro de 2009

Repulsa

Esta tarde fui tomar um café e, no caminho, aprendi que devo evitar passar próximo da porta do condutor dos táxis.
Já no regresso, um táxi passou por mim e parou logo à frente, para deixar sair o cliente. Eu ia pelo passeio, onde continuei, e quando ia a passar ao lado do carro, o condutor decidiu expulsar o que quer que lhe estivesse a incomodar na boca, garganta ou nariz (não sei precisar e também não quero).
Falhou por pouco, passou-me ligeiramente atrás. Não consegui deixar de demonstrar a minha repulsa, ao que recebi um "desculpe, chefe" como resposta.
Para a próxima, é melhor passar do outro lado do carro.

Formas

Acentuar as formas nem sempre é bom: depende das formas. Mas há quem não esteja de acordo, evidentemente.
Ontem fui com uns amigos a um bar e, mais uma vez, confirmei que os homens gostam muito daquelas tshirts justas, e normalmente com uns desenhos em dourado, ou a marca bem estampada.
Contudo, na minha perspectiva estética, o resultado é mau pelo simples facto de que uma grande parte desses homens tem barriga. Umas mais acentuadas que outras, mas barrigas bem conspícuas e nada favorecidas pelo uso das tais tshirts.
E é vê-los desfilar, vaidosos com as costas bem direitas e os ombros puxados atrás... mas de barriga bem para fora.